Usando a neurociência a favor do Feedback

Usando a neurociência a favor do Feedback

Usando a neurociência a favor do Feedback

*Ricardo Missel

Sabemos que o feedback é uma ferramenta que utiliza principalmente as competências comportamentais dos gestores, principalmente pelo fato de que sua essência está na análise de comportamentos e na comunicação entre duas pessoas. São questões diretamente humanas e emocionais envolvidas.

A fim de entender um pouco mais sobre como as pessoas percebem esse momento do feedback e como o corpo se manifesta nessas ocasiões, uma pesquisa coordenada pelo NeuroLeadership Institute (EUA) procurou analisar as reações das pessoas durante um feedback. Um dos principais objetivos era entender quais as diferenças em relação aos níveis de ansiedade das pessoas que dão feedback em comparação com aquelas que recebem o feedback.

O resultado final identificou que os níveis de stress eram similares para ambos participantes, ou seja, o ato de dar feedback pode ser tão estressante quanto receber. A prática de pedir feedback, ainda pouco encorajada pelas empresas por diversas questões, muitas delas culturais, foi identificada pelo estudo como uma forma de reduzir esse stress e ansiedade nos envolvidos.

Isso explica um pouco a dificuldade dos gestores em implementar essa ferramenta no dia a dia de trabalho. De acordo com Tessa West, uma das pesquisadoras do estudo, a nossa cultura nos incentiva a sermos pessoas legais com os outros, o que torna ainda mais difícil qualquer oportunidade para agir de forma crítica. Katherine Thorson, também pesquisadora no estudo, complementa questionando a qualidade de um feedback quando a pessoa que dá se sente pressionada socialmente para ser legal com o outro.

As conversas sobre feedback parecem muitas vezes simples e fáceis, mas analisando por esse prisma, fica claro o quanto a cultura das organizações se molda a partir da prática do feedback e como ele é exercido pelas pessoas. O feedback é o meio pelo qual as pessoas criam os laços de relacionamento e conduzem as estratégias. Alinhar estratégias e avaliar resultados são atividades que envolvem feedback constante. Se isso não ocorrer de forma verdadeira, o impacto sobre as estratégias e os resultados será diretamente prejudicado.

Muitas técnicas de feedback defendem a necessidade de se utilizar práticas que amenizem os feedbacks corretivos, a fim de “suavizar” o impacto de quem recebe a informação. É claro que a eficácia desses modelos precisa ser questionada, já que esse é um primeiro passo para mascarar os reais objetivos das conversas entre gestor e colaborador. Dessa forma, as intenções e benefícios do feedback ficam comprometidos em virtude da esperança de ser considerado uma “pessoa legal”.

Outro reflexo muito relevante desse comportamento pouco transparente e de práticas que evitam a abordagem via feedbacks corretivos são os altos investimentos em benefícios e treinamentos de baixa eficácia. É comum que em ambientes onde gestores tenham pouca habilidade para feedback essas práticas sejam comuns, na maioria das vezes para inconscientemente ocultar a pouca habilidade dos líderes e terceirizar sua principal função: gestão de pessoas.

A prática correta do feedback tem reflexo direto importante sobre a estratégia de qualquer negócio. Evitar conversas difíceis e delicadas é a pior forma de manter as pessoas enganosamente satisfeitas. As más consequências desse tipo de escolha são responsabilidade dos líderes e impactam diretamente em toda a organização.

*Ricardo Missel é sócio da Missel Capacitação Empresarial, Administrador e Especialista em Design Estratégico.

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